terça-feira, 18 de março de 2014

Ser estranha

   É estranho.

  Me atrasei para sair quando o celular tocou. Fiquei conversando(ouvindo) os problemas da vida, enquanto corria de um lado a outro da casa, sem conseguir raciocinar direito o que eu estava procurando(era a chave!) Com muito custo descobri, corri escada acima, peguei o que precisava e saí, consolando a pobre alma que chorava dentro do meu celular.
  Cheguei no ponto de ônibus já passados alguns minutos da hora em que eu DEVERIA ESTAR LÁ. Ônibus demorou cerca de 20 minutos para passar, pois eu moro no meio do deserto, onde o transporte público quase não chega.
  Sou estranha. Porque ainda continuei esperando praticamente em casa mesmo quando já havia passado da hora de ESTAR no meu compromisso. Eu fiquei me perguntando o que eu estava fazendo ali. Enquanto o normal teria sido simplesmente nem sair de casa...

  Outro dia meu chefe riu do nome da minha account do Google. Ele me perguntou porquê eu tinha escolhido aquele nome e eu apenas respondi que estava sem criatividade na hora de escolher um nome para minha account no dia em que a criei. Foi uma resposta prática e verdadeira, em partes. Pois estranha eu já sou. Só faltou ser prateada. Mas talvez eu seja prateada por dentro. Ou talvez seja pretensão minha pensar isso. Sei lá.

  Teve também o dia em que alguém disse: "Senhora X vai comprar pizza, mas eu venho jantar com vocês".
E na hora de pedir a comida, eu escolhi, nós escolhemos e eu pensando que alguém comeria pizza na casa de Senhora X, mesmo depois de ter dito que viria jantar conosco(é, pode acontecer, neh? =P). Mais tarde alguém chegou, e nossa comida também chegou. Era bastante, é verdade. Daria para três comerem sossegados. Mas foi pedido para dois. Ficou ESTRANHO. Pareceu maldade da minha parte, mas não foi. Francamente, eu fico me perguntando, tem horas, por que faço certas coisas. E fico calada pois não tenho essa resposta.

  Algumas vezes eu fico achando que estou ficando simplesmente louca. E algumas vezes eu apenas acho que sou ESTRANHA(Prateada).

Este post terminaria aqui.

Foi então que perguntei a mim mesma:
"Mim mesma, qual é o problema em ser estranha?"

   E tal pergunta fez sentido pra mim. Por que eu tenho que ser normal? Por que tenho que ser igual a você?
Já não basta ter que usar as mesmas roupas, usar sapatos iguais ao de qualquer outra mulher, já que as lojas só vendem a merda da moda? Por quê eu tenho que ter cabelo liso, mesmo que a troco de ter que colocar uma substância cancerígena e insuportável como o inferno na minha cabeça? E minha saúde? Quem me ama, vai me amar menos se eu não usar isso? Quem me ama vai me amar menos se eu não andar na moda? Quem me ama vai me amar menos se eu for estranha?
Pois eu lhes digo uma coisa. Eles me amaram. Assim mesmo como eu sou. Porque, por pior que seja, eu sempre fui eu mesma. Bonita ou feia, era a minha cara lavada que eles estavam vendo. E eles me amaram do mesmo jeito.

   Eles foram família, amigos, parentes, namorados, pretendentes, admiradores. E alguns ainda são. Principalmente os da família.

   Então eu descobri uma coisa sobre a verdadeira Rox: Ela é estranha. E vai ter que aprender a lidar com isso. E vai ter que tirar o máximo proveito disso, já que ser estranho não é pra qualquer um.
Qualquer um é normal. Os estranhos são poucos.







Vamos todos ser estranhos! xD
Brincando. Quem é normal não pode. Só os estranhos podem ser estranhos ;)


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